Esses dias passei por uma situação sinistra. Destas que nos lembram o quanto somos imperfeitos.
Tive um triste desentendimento, com uma pessoa muito querida. Hoje fico pensando como duas pessoas que se amam e se comprometeram para esta existência, puderam se machucar e se desrespeitar desta maneira.
Nestes momentos, eu, que sou espírita, me volto para a doutrina e para o autoconhecimento, para tentar entender o que foi que aconteceu naquele dia. A explicação que me ocorre, é que deixamos a besta que mora dentro de cada um de nós sair pela escotilha do cansaço e da raiva e foram elas, as duas bestas feras que travaram aquela briga.
Talvez em alguns momentos de nossa existência, estejamos tão cansados que descuidamos da porta que guarda nossa besta interior, ou seja, relaxamos no cuidado intenso que devemos ter com nosso comportamento moral.
Quem é espírita sabe que a terra é um planeta de prova e expiação, que não estamos aqui de férias. Que a grande razão de nossa existência é evoluirmos como ser humano.
Então, após a luta das bestas, lambi minhas feridas, avaliei os danos causados e após perceber o infame empate de injúrias, fiz o que a doutrina ensina. Refleti! Tentei compreender por que não consegui frear os baixos impulsos, como poderia ter evitado tão desastroso acontecimento. E depois, pedi perdão!
E torci fortemente para ser perdoada e para ter forças de perdoar. E mais uma vez pedi perdão! Feras recolhidas, sincero perdão pedido, aguardei e aguardei. Não ouvi com todas claras palavras que havia sido perdoada, e também não ouvi com palavra nenhuma um pedido de perdão, mas, algumas vezes é necessário ler os sinais e algumas ações me foram suficientes para perceber que o pior havia passado. Que as feras estavam novamente enjauladas e a vida poderia continuar seu curso.
Mas, infelizmente para meu mais absoluto espanto e desaponto percebi que outras feras foram desenjauladas após aquele triste fato. Feras outras, que nem estavam no incidente, destas feras que minam os campos, que põe lenha na fogueira e ficam a observar o fogo queimar o que outros estão tentando salvar. Quando percebi isso, e demorei a perceber, quase soltei minha fera novamente, mas fui salva. Salva pela tristeza de uma filha, que com a dor estampada nos olhos me disse, ”Mãe, nós temos perdido tanto ultimamente, estou tão cansada, não quero e não posso perder mais ninguém, mesmo os que me desapontaram”.
E foi pela dor dela e pela dor da minha mãe, que ordenei que a besta não saísse e desta vez consegui. Acho, que ao olhar em volta e perceber o quanto a dor se espalha pude conter a minha fera em sua jaula e fortalecer minha moral.
Talvez meus filhos puderam se isentar do desejo bestial de por lenha na fogueira, por terem sido testemunhas do acontecido, o que aumenta minha vergonha, mas viram a fúria das duas feras buscando igualdade de ataques e também, por que após o acontecido eu disse a eles, “Ninguém é mais ou menos culpado, erramos igualmente e espero sermos igualmente perdoadas por vocês e entre nós.
Mas, não passa um dia, sem que pense, por que não consegui ficar quieta, o que foi ali que despertou minha besta fera? Por que não fui capaz de perceber a dor do outro, o limite do outro, por que não consegui vislumbrar por atrás de tanta raiva o olhar maldoso da fera tentando sair?
Ah!!! Mansuetude! Se eu tivesse dado mais espaço a ela do que à fera, eu teria simplesmente aberto os braços e acolhido aquela pessoa amada que sofria e que muito provavelmente também não queria briga, queria apenas um abraço e ouvir o maior de todos os calmantes, ”calma, tudo vai dar certo. Eu reconheço sua dor, reconheço sua luta, você é merecedora de graças e as receberá a seu tempo”.
Infelizmente, como ser humano imperfeito que sou não pude fazer isso naquele momento, mas o faço agora. Abro meus braços, peço perdão novamente e abraço o ser amado.
Abro aqui humildemente meu coração desta maneira, pois acredito que isso possa nos ajudar a todos a refletir sobre nossa imperfeição humana e nossa necessidade de crescimento pessoal e moral. Vamos vigiar melhor nossas bestas interiores e dar mais força e atitude à nossa luz! Com um sincero desejo de paz, deixo aqui algumas frases que venho recolhendo aqui e acolá:
“A medida de um homem é sua capacidade de admitir quando está errado”. Abraham Lincoln
“Não há limite para o perdão, por que não há limites para o amor”. Dom Geraldo Lyrio
“Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada”. Edmund Burk
“Perdoar os inimigos é pedir perdão para si mesmo, perdoar os amigos é uma prova de amizade, perdoar as ofensas é mostrar que se tornou melhor”. Chico Xavier
“Jesus, recomendou que perdoássemos não sete vezes, mas setenta vezes sete cada tipo de ofensa”.Chico Xavier
Post: Cristina Morais

